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Aconteceu
- 20/03/2007 21h42
ONGs iniciam ação para ampliar frente contra hepatites
Gilberto Nascimento
Deputado Geraldo Thadeu, presidente da frente contra a hepatite.
Representantes de organizações não-governamentais
iniciaram nesta terça-feira a
coleta de assinaturas para ampliar o número de integrantes
da Frente Parlamentar das
Hepatites e Transplantes. A frente, presidida pelo deputado Geraldo
Thadeu (PPS-MG)
desde a última legislatura, contava com 104 deputados.
Geraldo Thadeu,
que foi portador de hepatite C durante 25 anos, explica que há
cerca
de 6 milhões de brasileiros atingidos pela doença:
3 milhões pela hepatite crônica C
e 3 milhões pela hepatite crônica B. Grande parte
dos portadores, no entanto,
segundo o deputado, não sabe que tem a doença. Segundo
ele, apesar da criação pelo
governo federal do Programa Nacional para Prevenção
e Controle das Hepatites Virais
desde 2003, somente 10 mil brasileiros conseguiram tratamento
em 2006. "O que nós
queremos? Nós queremos que o Plano Nacional de Hepatites
possa ser realizado em sua
plenitude - com diagnóstico, identificação,
tratamento e acompanhamento dos
pacientes. Essa é a grande luta: contribuir para que esse
programa decole,
estendendo o tratamento ao maior número possível
de portadores de hepatites
crônicas."
Falta de prioridade
O presidente da ONG "C Tem Que Saber C Tem Que Curar",
Francisco Martucci, afirma
que as hepatites virais ainda não são uma ação
estratégica de governo. Ele cita como
exemplo o Programa Nacional de Hepatites Virais do Ministério
da Saúde, que não
dispõe de recursos suficientes.
De acordo
com Martucci, dados da organização Mundial de Saúde
apontam que o maior
problema de saúde pública no país e no mundo
são as hepatites crônicas C e B, esta
última ainda sem cura. "Nós temos oficialmente
no Brasil 600 mil portadores do vírus
HIV e, entre portadores de hepatites B e C, o número é
de seis milhões, ou seja, dez
vezes mais". Ele lembra, no entanto, que no orçamento
do Ministério da Saúde, as
ações preventivas contra o HIV e as terapias para
soropositivos possuem dez vezes
mais verbas do que programas e ações para portadores
de hepatite. Ele acredita que a
pressão social contribuiu para que o governo priorizasse
recursos para as ações
destinadas a portadores do HIV.
Doença
assintomática
Segundo Francisco Martucci, um dos agravantes da hepatite C é
que a doença não
apresenta sintomas, podendo levar seu portador à cirrose,
ao cancêr de fígado e até
à morte. Outros dificuldades destacadas por Martucci são
deficiências na
distribuição de medicamentos e a ausência
de campanhas de prevenção que permitam a
detecção precoce das hepatites.
Reportagem - Simone Salles/Rádio Câmara
Edição - Paulo Cesar Santos
(Reprodução
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