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Estudo
pode abrir caminho para novos antivirais
NOVA
YORK - Em uma descoberta que pode ajudar no desenvolvimento de
antivirais mais potentes, pesquisadores anunciaram, na segunda-feira,
ter desvendado o mecanismo exato com que a droga ribavirina interrompe
a replicação de alguns vírus como o da hepatite
C.
O
mecanismo de ação dos antivirais confundiu os pesquisadores
por 25 anos, disse Raul Andino à Reuters Health. Em um
novo estudo que usou o poliovírus, os pesquisadores da
Universidade da Califórnia, em San Francisco e da Universidade
Estadual da Pensilvânia, em University Park, verificaram
que a droga aumentou a já alta taxa de mutação
do vírus, um tipo de vírus RNA. Este processo provocou
mudanças tão intensas no material genético
que impediu a sobrevivência do vírus. Um único
atamento em laboratório com a droga provocou um aumento
de dez vezes na taxa de mutação do poliovírus
e reduziu sua capacidade de infecção em 99 por cento.
"A
identificação do mecanismo de ação
da ribavirina abre uma nova possibilidade de desenvolvimento de
antivirais", disse Andino.
O
pesquisador explicou que, até determinado ponto, a capacidade
de mutação permite que vírus como HIV e influenza
escapem dos efeitos das drogas e vacinas. Entretanto, a ribavirina
tira vantagem deste vigor e leva a taxa de mutação
a um nível tão alto que o vírus sofre uma
"desintegração genética".
"O
vírus já trabalha com uma taxa de mutação
em velocidade máxima, criando todas as possíveis
mutações que possam ser vantajosas para ele",
explicou o especialista. "A ribavirina assegura que existam
tantas mutações deletérias no vírus
que ele não consegue sobreviver".
O
estudo foi publicado na edição on-line do Proceedings
of the National Academy of Science. Segundo Andino, é a
primeira vez que o processo, conhecido como mutagênese letal,
foi demonstrado como uma estratégia efetiva para droga
antiviral.
A
droga pode matar vários tipos de vírus em laboratório,
mas isto não significa necessariamente que auxilie pacientes
com vários tipos de doenças. O uso da ribavirina
está aprovado como tratamento contra o vírus da
hepatite C, da febre de Lassa e contra um vírus que causa
uma infecção respiratória sincicial grave
em crianças. Outros vírus com RNA incluem o vírus
do Nilo, vírus da febre aftosa, hepatite A, muitas formas
do resfriado comum (rinovírus, coronavírus e parainfluenza),
vírus do sarampo e rubéola.
O
novo estudo não demonstrou que a droga é apropriada
para tratar outras infecções, disse Andino.
"Nosso
estudo não significa que a ribavirina seja útil
contra vários tipos diferentes de doenças virais",
disse o especialista. "O trabalho abre um novo campo para
o desenvolvimento de drogas antivirais. Isso é muito estimulante".
"Possivelmente,
as conclusões vão levar a novas drogas relacionadas
à ribavirina que serão úteis contra muitos
tipos diferentes de doenças virais", disse Andino.
Atualmente,
a ribavirina é o tratamento para hepatite C, sendo usado
em combinação com o alfa-interferon. A droga tem
uma efetividade de apenas 30 por cento e também pode provocar
efeitos colaterais desagradáveis.
"Esperamos
que a próxima geração de ribavirinas tenha
uma efetividade de 100 por cento, fato que seria bastante vantajoso
porque se estima que 4 milhões de pessoas têm uma
forma crônica de hepatite B", disse Andino.
Reuters Health