PORTARIA
1318/GM
Protocolo
Clínico incluso na Consulta Pública 01/GM.
PROTOCOLO
CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS
HEPATITE VIRAL CRÔNICA C
Medicamentos:
Interferon-alfa, Interferon-alfa Peguilado, Ribavirina
1
- Introdução:
O vírus da Hepatite C (HCV) é uma importante causa
de cirrose em todo mundo1. Pertence ao gênero Hepacivirus
da família Flaviviridae, sendo seu genoma constituído
de uma hélice simples de RNA. Possui aproximadamente 9600
nucleotídeos, possuindo uma única região
de leitura que produz uma proteína de cerca de 3000 aminoácidos.
Essa proteína é após partida por proteases
virais e do hospedeiro em pelo menos 10 proteínas estruturais
e não estruturais. Existe uma grande variabilidade na seqüência
genômica do HCV, sendo que as amostras isoladas em todo
o mundo foram agrupadas em 6 genótipos, sendo no Brasil
os mais freqüentes os genótipos 1,2 e 32. Sabe-se
que dentre esses, o genótipo 1 caracteriza-se pela maior
resistência ao tratamento anti-viral1. A prevalência
da infecção pelo HCV no Brasil estima-se que esteja
entre 1 e 2% da população em geral2.
Tanto
a infecção crônica quanto a infecção
aguda pelo HCV são usualmente assintomáticas3,4,
estimando-se que apenas um terço dos pacientes com infecção
aguda pelo vírus C venham a ter sintomas ou icterícia5.
A persistência do HCV-RNA por mais do que seis meses após
a infecção caracterizam a infecção
crônica pelo HCV. É tema controverso a proporção
de pessoas infectadas pelo HCV que desenvolveram infecção
crônica, mas calcula-se que esse valor em média deve
ficar entre 70 a 80% dos infectados5.
As
principais complicações potenciais da infecção
crônica pelo vírus C a longo prazo são a cirrose,
a insuficiência hepática terminal e o carcinoma hepatocelular5.
O percentual de pacientes cronicamente infectados que evoluem
para cirrose após 20 anos do contágio varia entre
diversos estudos, sendo que estudos de base populacional resultaram
em taxas de 4 a 10%, enquanto que em estudos realizados em clínicas
especializadas em doenças hepáticas a incidência
encontrada é de até cerca de 20%6. Entretanto pouco
se sabe a respeito da evolução da infecção
crônica pelo HCV em períodos mais longos do que duas
décadas. Uma vez com cirrose, cerca de 1 a 4% dos pacientes
por ano desenvolvem carcinoma hepatocelular.
Em
1998 foram publicados dois ensaios clínicos envolvendo
1744 pacientes que mostraram o maior benefício da terapia
combinada de Interferon-alfa e Ribavirina sobre a monoterapia
com interferon-alfa7,8, tendo sido mostrado maior benefício
no tratamento de pacientes com genótipo 1 por 48 semanas
e genótipo não-1 por 24 semanas. Essa conduta foi
posteriormente ratificada pelo Consenso Internacional de Paris
realizado em 19999.
Uma
nova forma de Interferon foi desenvolvida, que se chama Interferon
Peguilado ou Peginterferon. A peguilação é
uma técnica desenvolvida pela indústria de cosméticos
e também utilizada na produção de alimentos,
que consiste em unir uma molécula de polietilenoglicol
à molécula de Interferon. Tornando-se maior, o Interferon
é mais dificilmente metabolizado, dessa forma suas dosagens
sangüíneas permaneceriam elevadas por um maior tempo.
A atividade biológica do Interferon permanece inalterada,
o que muda é a sua administração, que ao
invés de ser três vezes por semana, passa a ser semanal.
Um
ensaio clínico randomizado aberto de fase 3 comparando-se
Interferon convencional mais Ribavirina versus Peginterferon mais
Ribavirina foi publicado por Manns e colaboradores em setembro
de 2001 na revista Lancet10, mostrando um pequeno benefício
da combinação utilizando Peginterferon e Ribavirina
sobre a combinação Interferon convencional e Ribavirina.
O Peginterferon na dose de 1,5 mcg/kg mais ribavirina teve uma
taxa de resposta viral sustentada de 54% versus 47% do Interferon
convencional. O Food and Drug Administration nos Estados Unidos
da América, reanalizaram os dados de Manns11 e concluíram
que a diferença entre o Peginterferon (resposta de 52%)
e o Interferon convencional (resposta de 46%) foi de apenas 6%.
Além disso, estatisticamente (ainda com uma chance de erro
de 5%) esse valor pode estar situado entre 0,18% e 11,63%.
Outro
ensaio clínico randomizado aberto de fase 3 realizado por
Fried e colaboradores12, comparou três grupos. Um grupo
utilizou Peginterferon associado à Ribavirina, outro grupo
utilizou Peginterfron monoterapia e um terceiro grupo utilizou
Interferon convencional associado a Ribavirina, tendo sido obtido
uma taxa de resposta viral sustentada de 56% no grupo associando
Peginterferon e Ribavirina, 30% no grupo utilizando Peginterferon
monoterapia e 45% no grupo associando Interferon convencional
e Ribavirina13.
Outro
estudo foi realizado com a finalidade de se estabelecer a melhor
dose de Ribavirina para ser associada ao Peginterferon, assim
como o tempo de tratamento mais adequado14. Quatro grupos foram
tratados, um associando-se Peginterferon e Ribavirina 800 mg por
24 semanas, um grupo associando Peginterferon e Ribavirina 1000-1200
mg por 24 semanas, outro grupo utilizando Peginterferon e Ribavirina
800 mg por 48 semanas e um quarto grupo tratado com Peginterferon
e Ribavirina 1000-1200 mg por 48 semanas. Nos grupos utilizando
dose mais alta de Ribavirina, 1000 mg foi administrada para pacientes
com menos de 75 kg e 1200 para pacientes com 75 kg ou mais. Os
pacientes com HCV genótipo tipo 1 foram distribuídos
na proporção de 1:1:4:4 e os do genótipo
tipo não-1 foram distribuídos na proporção
1:1:1:1 entre os grupos. O estudo mostrou que para pacientes com
genótipo tipo 1, grupos que utilizaram menores doses de
Ribavirina e/ou por 24 semanas tiveram um percentual de resposta
viral sustentada significativamente menor, recomendando-se portanto
a utilização de Peginterferon associado a Ribavirina
1000-1200 mg por 48 semanas para pacientes do genótipo
tipo 1. Para pacientes com HCV tipo não-1 não houve
redução da eficácia na utilização
do medicamento por 24 semanas associado a doses de 800 mg de Ribavirina,
portanto podendo ser esse o tempo de tratamento e dose de Ribavirina
empregada.
Existem
algumas dúvidas sobre a superioridade do Peginterferon
versus Interferon convencional. A primeira delas é que
todos os estudos realizados fazendo essa comparação
eram abertos, ou seja, todos os pacientes, assim como os médicos,
sabiam qual tratamento estava sendo dado para cada paciente. Estudos
mostram que estudos abertos tendem a mostrar até 17% a
mais de resposta para a nova terapia, mesmo que na realidade não
exista diferença entre os tratamentos15.
Além
disso, há dúvida na maior eficácia da combinação
Peginterferon e Ribavirina sobre o tratamento com Interferon e
Ribavirina nos genótipos 2 e 3 do HCV, pois o ensaio clínico
de Manns e colaboradores não mostrou diferença estatística
entre os tratamentos com Peginterferon e Interferon nesses genótipos10,11.
Outra
questão é a dose de Interferon Peguilado utilizada.
Como os pacientes que receberam Interferon Peguilado 1,5 mcg/kg,
tiveram mais efeitos adversos, Manns e colaboradores10 justificaram
que isso aconteceu porque ao darem Interferon Peguilado nessa
dose estavam dando mais moléculas de Interferon do que
ao darem Interferon convencional 3.000.000 UI 3 vezes por semana.
Um estudo publicado por Mangia no Journal of Hepatology16 comparou
a utilização de 3.000.000 UI de Interferon convencional
associado a Ribavirina versus 5.000.000 UI de Interferon associado
a Ribavirina. Houve maior taxa de resposta nos tratados com 5.000.000
UI de Interferon-alfa nos pacientes com genótipo tipo 1,
exatamente o mesmo grupo beneficiado com Peginterferon no estudo
de Manns10. Não existem estudos clínicos de fase
III comparando-se Peginterferon com Interferon convencional 5.000.000
de UI. Dessa forma persiste a dúvida se a pequena diferença
observada foi devida ao processo de peguilação ou
se foi devida a maior dose de Interferon molecular per se.
2
- Classificação CID 10:
B18.2
Hepatite Viral Crônica C
3
- Critérios de Inclusão no Protocolo de Tratamento:
3.1 - Critérios Gerais de Inclusão:
Serão
incluídos no Protocolo de Tratamento aqueles pacientes
que possuam todas as seguintes características:
a
- Reação em cadeia da polimerase positiva para o
vírus C;
b
- Transaminases acima de uma vez e meia o limite superior da normalidade
nos últimos seis meses;
c
- Ter realizado, nos últimos 12 meses, biópsia hepática
onde tenha sido evidenciada atividade necro-inflamatória
de moderada a intensa e/ou fibrose;
d
- Ter entre 12 e 70 anos;
e
- Ter contagem de plaquetas acima de 50.000/mm3 e de leucócitos
acima de 2.000/mm3.
3.2
- Critérios de Inclusão para Tratamento com Peginterferon:
Os
pacientes poderão ser candidatos ao tratamento com peginterferon
se estiverem enquadrados, além dos critérios gerais
mencionados nas alíneas a + b + c + d + e do
item 3.1 acima, nos seguintes critérios:
a
- Vírus da hepatite C do genótipo 1, segundo exame
de reação em cadeia da polimerase com genotipagem;
b
- Biópsia hepática no último ano com fibrose
em septos, pontes fibrosas ou nódulos regenerativos (F2,F3
e F4 da classificação de Metavir) 17.
4
- Critérios de Exclusão do Protocolo de Tratamento:
Não deverão ser incluídos no Protocolo de
Tratamento, tanto com alfa-intereferon como com peginterferon,
aqueles pacientes que:
a
- Paciente que já tenha realizado tratamento prévio
com alfa-interferon associado à ribavirina17;
b
- Paciente que tenha realizado monoterapia com alfa-interferon
previamente, não tendo tido resposta virológica
ao tratamento17;
c
- Consumo abusivo de álcool nos últimos 6 meses;
d
- Consumo regular de drogas ilícitas (se o paciente estiver
em tratamento para dependência química com boa adesão,
o tratamento para hepatite C poderá ser considerado)17-18;
e
- Paciente transplantado hepático17;
f
- Hepatopatia descompensada;
g
- Doença da tireóide de difícil controle;
h
- Insuficiência renal ou cardíaca;
i
- Neoplasias;
j
- Doença cerebrovascular ou coronária;
k
- Diabete mélito tipo 1 de difícil controle;
l
- Psicose;
m
- Convulsões não controladas;
n
- Homens e mulheres sem adequado controle contraceptivo;
o
- Gravidez (beta-HCG positivo);
p
- Anemia, hemólise, hemoglobinopatias e supressão
de medula óssea são situações onde
pode ser considerada a possibilidade de monoterapia com peginterferon-alfa;
q
- Não concordância com os termos do Consentimento
Informado.
5
- Situações Especiais
a - Paciente com co-infecção HIV-HCV: os pacientes
com HIV estáveis, não imunodeficientes, poderão
ser tratados seguindo as mesmas normas deste protocolo. Pacientes
imunodeficientes não devem realizar o tratamento para hepatite
C, sendo a prioridade o tratamento da infecção pelo
HIV;
b
- Pacientes pediátricos: não existem estudos controlados
que assegurem a eficácia e a segurança do tratamento
de pacientes abaixo de 18 anos com hepatite C, não sendo
recomendado o seu tratamento11,17,18;
c
- Hepatite C aguda: não existem estudos controlados avaliando
essa situação, não se recomendando o tratamento
da hepatite C nessa situação18;
d
- Paciente com distúrbios psiquiátricos: devem ter
a sua condição psiquiátrica estabilizada,
estando realizando tratamento psiquiátrico regular e com
avaliação de especialista em psiquiatria liberando
o paciente para o tratamento. Sugere-se nesses casos avaliar a
relação risco-benefício, reservando o tratamento
para pacientes com fibrose hepática avançada ou
cirrose17;
e
- Pacientes com insuficiência renal crônica: pacientes
com DCE abaixo de 50 mg/l/min e/ou em hemodiálise tem contra-indicação
para a utilização de ribavirina ou alfa-interferon
peguilado11;
f
- Pacientes com hemofilia podem realizar o tratamento sem a necessidade
da biópsia hepática;
g
- Pacientes com cirrose estabelecida clinicamente pela presença
de varizes de esôfago e indícios ecográficos
dessa situação também podem realizar o tratamento
sem a necessidade de biópsia hepática.
6
- Tratamento
6.1 - Fármacos e Apresentações:
6.1.1
- Interferon alfa-2a recombinante:
frasco-ampola
com 3.000.000 UI, 4.500.000 UI e 9.000.000 UI para uso sub-cutâneo.
6.1.2
- Interferon alfa-2b recombinante:
frasco-ampola
com 1.000.000 UI, 3.000.000 UI, 4.500.000 UI, 5.000.000 UI, 9.000.000
UI e 10.000.000 UI para uso sub-cutâneo.
6.1.3
- Peginterferon alfa-2a:
frasco-ampola
com 135 e 180 mcg.
6.1.4
- Peginterferon alfa-2b:
frasco-ampola
de 50, 80, 100, 120 e 150 mcg.
6.1.5
- Ribavirina:
cápsulas
com 100, 200, 250, 400 mg e xarope com 10 mg/ml.
6.2
- Esquemas de Administração:
6.2.1 - Interferon-alfa: 3.000.000 UI a 5.000.000 UI SC, três
vezes por semana, associado à Ribavirina 1000 mg por dia
para pacientes com menos de 75 kg e 1200 mg por dia para pacientes
com 75 kg ou mais;
6.2.2
- Interferon Peguilado alfa-2a: 180 mg SC por semana associado
à Ribavirina 1000-1200 mg por dia para pacientes com genótipo
tipo 1 (1000mg por dia para pacientes com menos de 75 kg e 1200
mg por dia para pacientes com 75 kg ou mais);
6.2.3
- Interferon Peguilado alfa-2b: 1,5 mg/kg SC por semana associado
à Ribavirina 1200 mg por dia para pacientes com genótipo
tipo 1. Em monoterapia, ou seja, quando não associada a
Ribavirina, a dose preconizada é de 1 mg/kg SC por semana11,19.
6.3
- Logística:
Por
razões de fármaco-economia, racionalização
de dose e aplicação, aqueles pacientes que estiverem
em tratamento com Interferon Peguilado devem ter suas doses semanais
aplicadas em serviço especialmente identificado para tal
fim pela Secretaria Estadual de Saúde. Assim, as ampolas
ficarão em poder dos serviços já mencionados
e não dos pacientes em tratamento.
6.4
- Monitorização:
6.4.1 - Avaliação Inicial:
Os
pacientes com hepatite C que são candidatos a tratamento
devem ser submetidos a uma avaliação inicial. Nessa
avaliação devem constar anamnese completa, exame
físico e os seguintes exames complementares:
a
- Hemograma completo com contagem de plaquetas;
b
- ALT, AST;
c
- Tempo de protrombina, bilirrubinas, albumina;
d
- Gama-glutamiltransferase, fosfatase alcalina;
e
- Creatinina;
f
- TSH;
g
- Reação em cadeia da polimerase do vírus
C qualitativa com determinação da genotipagem;
h
- Biópsia hepática do último ano, salvo nos
casos definidos nas alíneas f e g
do item 5 deste Protocolo;
i
- Pacientes com genótipo tipo 1 e que estejam sendo avaliados
para o uso de Peginterferon-alfa associado à Ribavirina,
já tendo preenchido todos outros critérios de inclusão
e não apresentem critérios de exclusão, deverão
realizar o exame de reação em cadeia da polimerase
do vírus C quantitativa antes do início do tratamento.
6.4.2
- Monitorização Durante o Tratamento:
Aqueles
pacientes que, após a realização da avaliação
inicial, se enquadrarem nos critérios de inclusão
e não apresentarem critérios de exclusão,
poderão iniciar com um dos tratamentos propostos nos itens
6.2.1 a 6.2.3 deste Protocolo.
Os
pacientes em uso da medicação deverão ser
monitorizados, principalmente nas fases iniciais do tratamento.
Os exames mínimos que o paciente deverá realizar
durante o tratamento são:
a
- Hemograma, plaquetas, ALT, AST, creatinina a cada quinze dias
no primeiro mês e após mensalmente;
b
- TSH a cada três meses.
6.4.3
- Monitorização da Resposta Virológica:
6.4.3.1
- Interferon não-peguilado ou Peguilado monoterapia:
Os
pacientes que estiverem em uso de Interferon não-peguilado
ou Peguilado monoterapia deverão realizar os seguintes
exames além dos expostos acima:
Reação
em cadeia da polimerase do vírus C qualitativa na semana
12 de tratamento e caso o resultado for positivo devem interromper
o tratamento, sendo considerados não-respondedores. Caso
o exame for negativo, devem manter o tratamento, repetindo o exame
na semana 48, momento em que o tratamento será interrompido.
Caso o exame na semana 48 for negativo, o exame será repetido
após 24 semanas.
6.4.3.2
- Interferon não-peguilado associado à Ribavirina
com genótipo tipo 1:
Os
pacientes que estiverem em uso de Interferon não-peguilado
associado à Ribavirina com genótipo tipo 1 deverão
realizar os seguintes de monitorização da resposta
virológica:
Reação
em cadeia da polimerase do vírus C qualitativa na semana
24 de tratamento. Pacientes que tiverem resultado negativo desse
exame devem manter o tratamento, repetindo o exame na semana 48,
momento em que o tratamento será interrompido. Caso o exame
na semana 48 for negativo, o exame será repetido após
24 semanas. Pacientes que tiverem o exame da reação
em cadeia da polimerase do vírus C qualitativa positiva
na semana 24 de tratamento deverão interromper o tratamento,
sendo considerados não-respondedores.
6.4.3.3
- Interferon não-peguilado associado à Ribavirina
com genótipo tipo não-1:
Os
pacientes que estiverem em uso de Interferon não-peguilado
associado à Ribavirina com genótipo tipo não-1
deverão realizar os seguintes de monitorização
da resposta virológica:
Reação
em cadeia da polimerase do vírus C qualitativa na semana
24 de tratamento. Pacientes que tiverem o exame da reação
em cadeia da polimerase do vírus C qualitativa positiva
na semana 24 de tratamento deverão interromper o tratamento,
sendo considerados não-respondedores. Pacientes que tiverem
resultado negativo desse exame devem ser estratificados quanto
a necessidade de prolongar o tratamento até completar 48
semanas. Deve-se considerar 3 fatores: (1) fibrose hepática
à biópsia com estadiamento F2,F3 ou F4 de Metavir;
(2) idade superior a 40 anos; (3) sexo masculino20. Se os pacientes
apresentarem 2 ou mais desses critérios, o tratamento deve
ser prolongado até completar 48 semanas, quando devem repetir
o exame reação em cadeia da polimerase do vírus
C qualitativa. Os pacientes com esse exame negativo ao final do
tratamento (semana 24 ou 48) devem repeti-lo após 24 semanas.
6.4.3.4
- Interferon Peguilado associado à Ribavirina com genótipo
genótipo 1:
Os
pacientes que estiverem em uso de Interferon Peguilado associado
à Ribavirina com genótipo genótipo 1 deverão
realizar os seguintes de monitorização da resposta
virológica:
Reação
em cadeia da polimerase do vírus C quantitativa na semana
12 de tratamento. Pacientes que não tenham negativado o
exame de carga viral ou que não tenham obtido uma redução
de 100x no número de cópias virais em relação
à carga viral pré-tratamento deverão interromper
o tratamento. Caso contrário devem manter o tratamento,
realizando reação em cadeia da polimerase do vírus
C qualitativa na semana 48, momento em que o tratamento será
interrompido. Caso o exame na semana 48 for negativo, o exame
será repetido após 24 semanas.
6.5
- Tempo de Tratamento e Critérios de Interrupção
do Tratamento:
6.5.1- Interferon-alfa não peguilado:
Nos
casos em que for utilizado Interferon-alfa não peguilado,
o tratamento deve ser interrompido quando:
a
- Houver efeitos adversos sérios;
b - Os pacientes forem intolerantes ao tratamento;
c - Pacientes com genótipo viral não-1 que tenham
utilizado Interferon-alfa não peguilado associado à
Ribavirina por 24 semanas e que tenham no máximo um dos
seguintes critérios: (1) fibrose hepática à
biópsia com estadiamento F2,F3 ou F4 de Metavir; (2) idade
superior a 40 anos; (3) sexo masculino20;
d
- Pacientes utilizando Interferon alfa não peguilado monoterapia
e que tenham reação em cadeia da polimerase qualitativa
para o vírus C positiva após 12 semanas de tratamento;
e
- Pacientes que tenham completado 48 semanas de tratamento em
quaisquer circunstâncias.
6.5.2
- Interferon-alfa Peguilado:
Nos
casos em que for utilizado Interferon-alfa Peguilado, o tratamento
deve ser interrompido quando:
a
- Houver efeitos adversos sérios;
b
- Os pacientes forem intolerantes ao tratamento;
c
- Pacientes com HCV genótipo tipo 1 que após 3 meses
de tratamento com Interferon peguilado associado à Ribavirina
que não tenham negativado o exame de carga viral ou que
não tenham obtido uma redução de 100 vezes
no número de cópias virais em relação
à carga viral pré-tratamento;
d
- Pacientes utilizando Peginterferon alfa monoterapia e que tenham
reação em cadeia da polimerase qualitativa para
o vírus C positiva após 12 semanas de tratamento21;
e
- Pacientes que tenham completado 48 semanas de tratamento em
quaisquer circunstâncias.
6.6 - Benefícios Esperados com o Tratamento:
a - Aumento da expectativa de vida;
b
- Melhora da qualidade de vida;
c
- Redução da probabilidade de evolução
para insuficiência hepática terminal que necessite
de transplante hepático;
d
- Diminuição do risco de transmissão da doença;
e
- Resposta viral sustentada, definida pela reação
em cadeia da polimerase qualitativa negativa após 24 semanas
do final do tratamento.
7
- Consentimento Informado
É obrigatória a cientificação do paciente,
ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos
colaterais relacionados ao uso dos medicamentos preconizados nesse
protocolo, o que deverá ser formalizado por meio da assinatura
de Termo de Consentimento Informado, de acordo com o modelo constante
deste Protocolo.
Referências
Bibliográficas
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in patients with chronic hepatitis C and cirrhosis. N Engl J Med
2000;343(23):1673-1680.
TERMO
DE CONSENTIMENTO INFORMADO
Interferon
alfa + Ribavirina ou Interferon alfa Peguilado + Ribavirina
Eu
_______________________ (nome do(a) paciente), abaixo identificado(a)
e firmado(a), declaro ter sido informado(a) claramente sobre todas
as indicações, contra-indicações,
principais efeitos adversos, relacionados ao uso das associações
de medicamentos Interferon alfa + Ribavirina ou Interferon alfa
Peguilado + Ribavirina, preconizadas para o tratamento da Hepatite
Viral Crônica C.
Os
termos médicos foram explicados e todas as minhas dúvidas
foram resolvidas pelo médico ____________________ (nome
do médico que prescreve).
Expresso
também minha concordância e espontânea vontade
em submeter-me ao referido tratamento, assumindo a responsabilidade
e os riscos pelos eventuais efeitos indesejáveis decorrentes.
Assim
declaro que:
Fui
claramente informado que a associação de Ribavirina
+ Interferon alfa ou Ribavirina + Iinterferon Peguilado podem
trazer os seguintes benefícios no tratamento da Hepatite
Viral Crônica C:
-
Redução da replicação viral;
-
Melhora da inflamação e fibrose hepáticas;
Fui
também claramente informado a respeito das seguintes contra-indicações,
potenciais efeitos adversos, riscos e advertências a respeito
da associação de Ribavirina + Interferon alfa ou
Ribavirina + Iinterferon Peguilado no tratamento da Hepatite Viral
Crônica C:
-
Medicações classificadas na gestação
como fator de risco X para Ribavirina (contra-indicada durante
a gestação e por graves defeitos, com efeitos teratogênicos,
oncogênicos, mutagênicos e embriotóxicos significativos
nos bebês) e fator de risco C para Interferon alfa e Interferon
peguilado (estudos em animais mostraram anormalidades nos descendentes,
porém não há estudos em humanos; o risco
para o bebê não pode ser descartado, mas um benefício
potencial pode ser maior que os riscos).
-
É contra-indicado o uso da Ribavirina em pacientes de ambos
os sexos nos quais o controle da contracepção não
pode ser feito de maneira adequada e rigorosa, devendo ser utilizado
método seguro de contracepção para pacientes
em idade fértil até seis meses do final do tratamento;
-
Não é recomendada a amamentação durante
o tratamento com Ribavirina, Interferon alfa e Interferon Peguilado;
-
Deve-se evitar a gravidez durante a vigência do tratamento
e por 6 meses após seu término;
-
O paciente não deve doar sangue;
-
O medicamento é de uso próprio, não podendo
ser passado para outra pessoa.
-
Os principais efeitos adversos relatados para o Interferon alfa
e Interferon Peguilado são dor de cabeça, fadiga,
depressão, ansiedade, irritabilidade, insônia, febre,
tontura, dor torácica dificuldade de concentração,
dor, perda de cabelo, coceiras, secura na pele, borramento da
visão, alteração no paladar gosto metálico
na boca, estomatite, náuseas, perda de apetite, diarréia,
dor abdominal, perda de peso, dor muscular, infecções
virais, reações alérgicas de pele, hipertireoidismo
e hipotireoidismo, vômitos, indigestão, diminuição
da células do sangue (plaquetas, neutrófilos, hemácias),
tosse, faringite, sinusite. Os efeitos adversos menos freqüentes
incluem comportamento agressivo, aumento da atividade de doenças
auto-imunes, infarto do miocárdio, pneumonia, arritmias,
isquemias.
-
Os principais efeitos adversos relatados para Ribavirina incluem
cansaço, fadiga, dor de cabeça, insônia, náuseas,
perda de apetite, anemia. Os efeitos adversos menos freqüentes
são dificuldade na respiração, conjuntivite,
pressão baixa, alergias de pele, rinite, faringite, lacrimejamento.
-
É necessária a realização de exames
hematológicos, especialmente durante as 4 primeiras semanas
de tratamento, para detecção de alterações
nas células do sangue e, desta forma, quando for necessário,
proceder ajuste de dose;
-
Estes medicamentos podem interagir com vários outros medicamentos.
Por isso, em caso de uso de outros medicamentos, comunique ao
médico.
Estou
ciente que posso suspender este tratamento a qualquer momento,
sem que este fato implique em qualquer forma de constrangimento
entre eu e meu médico, que se dispõe a continuar
me tratando em quaisquer circunstâncias.
Assim
o faço por livre e espontânea vontade e por decisão
conjunta, minha e de meu médico.
Paciente:
___________________________________________________________________________
Responsável Legal (quanto for o caso):
__________________________________________________
Sexo do paciente: ( )
Masculino ( )
Feminino ( )
Idade do Paciente: ___________________
R.G. do paciente ou responsável legal::
_____________________________________________________
Endereço:
__________________________________________________________________________
Cidade: _____________________________
CEP: ____________________
Telefone: ( ) _________
R.G do responsável legal:
_____________________________________________________________
________________________________________
Assinatura
do Paciente ou Responsável
Assinatura
do Responsável (quando for o caso)
Médico
Responsável: ______________________________
CRM: _____________________________
Endereço do Consultório: _______________________________________________________________
Cidade: __________________________
CEP: _____________
Telefone: ( ) ________________
Assinatura
e Carimbo do Médico
_______/_______/__________
Data
Obs.:
1
- O preenchimento completo deste Termo e sua respectiva assinatura
são imprescindíveis para o fornecimento do medicamento
2
- Este Termo ficará arquivado na farmácia responsável
pela dispensação dos medicamentos